19/05/2015 0 comentários

Mudanças

Quando viu que não tinha mais jeito, chorou.

Chorou tanto que sua mãe ao passar pelo seu quarto parou, olhou e disparou:

_Você é um fraco!

Saiu sem mais.

Washington em meio às lagrimas, parou, pensou e não hesitou. Matriculou-se na academia.


18/05/2015 0 comentários

Perdido

Ele sempre se achou a frente de todos, que sabia mais que todos, que tinha vivido a mais que todos, e que tudo estava se passando conforme ele achava e desejava.
Mal ele sabia que estava apenas começando, e o que ele achava que sabia, não dava nem para o começo, o forte e incontrolável desejo de estar sempre achando tomou conta do seu mundo, e esse vicio de achar que estava controlando tudo e a todos, consumiu sua vida.

Hoje ele continua achando que esta a frente de todos, acha que sabe de tudo, e que todos deveriam consumir de suas aventuras imaginarias, assim como sua vida que está sendo consumida. Só que diferente do passado, hoje ele acha, mas acha sozinho, e continua se enganado, e no fundo ele sabe que deve parar de achar e começar a procurar, procurar todos que ele achava que sabia onde estavam.


05/01/2012 0 comentários

Chico Buarque - Construção (um marco na música brasileira)

O autor utilizou as palavras proparóxitonas em sua rima. Mostra uma habilidade sem igual foi um esforço sobremaneiro fazer a musica terminas com essa classe de palavras, e através de mudanças desconstrui-la e ainda sim manter a coerência. O título construção, não só se refere ao ambiente vivido como também a característica da construção letra.
Repare bem, termina quase sempre com proparóxitona. Isso não é fácil fazer.












04/04/2011 2 comentários

Era minha vizinha

A casa dela era de frente com a minha, a janela do quarto era grande, dava para ver a metade do quarto. Sentia-me privilegiado.
Ela dormia em uma cama de casal que sempre estava estendida com edredom cor – de – rosa, as havaianas dela também eram cor – de – rosa, ficava sempre ao lado da cama perto da cabeceira que tinha sempre livros ou revistas. Só não entendia o fato de a cama ser de casal. Devia gostar de conforto.
Além da metade da cama e a cabeceira, era possível observar um mural com muitas fotos e um pedaço do espelho, onde provavelmente ela se arrumava diante, na frente tinha uma mesinha com perfumes, cremes, maquiagem, tudo que um mulher acha que precisa. Ela passava horas naquele canto.
Era difícil, mas tinha dia que ela deixava a toalha molhada em cima da cama. Teve um dia que cheguei a ver uma calcinha. Era vermelha com renda preta, tipo, fio dental, transparente na parte da frente, bem ousado.
Ela sempre esquecia o celular ou a chave, e sempre que voltava para buscar um dos dois, ela se olhava no espelho, mas não por vaidade, olhava com se estivesse se perguntando algo.
Às vezes ela ficava horas olhando para o mural de fotos, como se estive no passado, revivendo aqueles momentos que estavam congelados em um pedaço de papel, ao final ela sempre chorava. E eu apenas observava sem poder fazer nada. Eu não gostava de vê-la chorando.
Tinha noites que eu passava horas observando ela dormindo, ela sempre deitava de lado, tipo conchinha, com as duas mãos apoiando seu lindo rosto. Gostava de como ela prendia o cabelo para dormir, ficava exposto seu pescoço branco e largo. Ela dormia sorrindo, parecia um anjo repousando.
Todo sábado de manhã ela alongava, ligava o rádio e andava pelo quarto em quanto escovava os dentes. Às vezes ela dançava, nada vulgar, apenas dançava.
Nunca se quer troquei uma palavra com ela, sempre a vejo passando pela rua, geralmente perto da casa dela, entrando ou saindo.
Uma vez a encontrei no supermercado, eu estava perto dos congelados, distraído, pensando em qual marca de frango empanado era melhor, e quando olhei para o lado, lá estava ela, vindo em minha direção, por 15 segundos fiquei totalmente paralisado, foram os 15 segundos mais lento que tive em toda minha vida.
Ela estava falando no celular e empurrando um carrinho de compras meio vazio e com um sorriso apaixonante estampado no rosto, foi impossível não se entregar diante de tanta beleza.
Quando ela passou por mim, tive o prazer de sentir seu perfume, era um aroma de mulher, que combinava com tudo que ela era.
Sua voz era doce e meiga, era exatamente como eu imaginava, era um tom de tranqüilidade que transmitia toda a sua feminidade.
Até pensei em dizer algo, talvez um bom dia, oi ou até mesmo acenar com a cabeça e dar um sorriso amarelo, mais a única coisa que consegui fazer, foi admirar a mulher que eu mais admirava.
Entre todas as coisas que sei sobre ela, a que me deixa mais distante, é o fato dela não saber da minha existência.


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Súplica

É Senhor... Talvez seja eu, ou o Senhor mesmo, mas a certeza é... Alguém não cumpriu sua parte!
Lembro-me que deixei aquele ambiente muito feliz, com aquela possível conquista, eu sentia que a vitoria era certa. Pelo menos naquele momento.
É estranho analisar agora, me sinto um babaca por acreditar que um dia eu pudesse conquistar algo tão além do meu alcance.
Cheguei até a sonhar com as coisas que eu conquistaria com aquela vitoria. Fiz muitos planos, me senti orgulhoso e muito grato. Tudo em vão.
Acredito, que agora a melhor maneira de se recuperar desse tombo, é eu me colocar no meu lugar, pois agora eu sei meu limite.
Desculpe-me Senhor, mas não consigo acreditar que o Senhor tenha algo melhor para mim, nesse tombo perdi minha fé, perdi minhas forças e minhas esperanças e o pior de tudo é que eu não sei onde encontrá-las novamente.
Podem me chamar de fraco, mas só eu, e talvez o Senhor, sabe o quanto eu lutei, e quanta fé carregava no peito, como eu já disse, o tombo foi alto.
Não sei se agora adianta ficar procurando os erros, até porque e sei onde eles estão, aqui do meu lado, junto com meu desespero e angustia, de um dia ter sonhado tão alto.
Senhor, peço humildemente, caso o Senhor tenho mais alguma coisa reservado para mim, peço que troque por um pouco de auto-estima e confiança. Eu preciso continuar caminhando, para onde eu não sei, mas preciso.
Eu sei que ficar chorando não vai resolver nada, mas eu precisava dizer ao Senhor o tamanho da minha decepção, não com o Senhor, mas com a situação.

Senhor, a culpa é minha ou sua?

Se eu errei, onde errei?

Será que pedi muito?

Se eu pedi, porque me deixou chegar até lá e fracassar?

Senhor... Estou sendo muito rude contigo? Se estou me perdoe.

Só queria desabafar.

Obrigado Senhor por me ouvir.










10/11/2010 0 comentários

Radiohead - Creep

20/07/2010 0 comentários

Ambiente.

Como irei me adaptar, se nem confiança eu tenho ainda? Confiança é o primeiro passo para qualquer tipo de atitude, e eu não tenho isso aqui ainda.
Essa cadeira gira, a outra era fixa, só se movimentava quando eu o arrastava para pegar meu copo de coca, ou guaraná que ficava do outro lado da mesa, era eu quem a manipulava.
O monitor era bem menor e com todas as minha necessidades bem mais próximo do ponteiro do mouse, nesse, elas ficam bem mais distante.
A relação que eu tinha com o outro mouse era uma relação bem próxima, tipo... Gugu e o pintinho amarelinho. Ele cabia na palma da minha mão, agora sobra mouse.
O fone também não é o mesmo, é o mesmo, só que nesse meio período de falta de inspiração, ele solto a proteção emborrachada e eu a substitui por uma de espuma, e essa espuma ta abafando muito o som, o que me deixa muito puto.
Esse teclado é mais bonito, moderno, e isso tira minha atenção, o outro era mais simples, feio, sem o comando para iniciar o Google através do teclado. O outro era tão feio que eu digitava sem olhar pra ele. Saudade.
A outra mesa tinha um adesivo preto, redondo com o formato exato da base do copo, era para não manchar a mesa, aqui mal consigo esticar minhas pernas, apoio para o braço é uma coisa que não existe também, e beber algo aqui é praticamente um crime, e ela é muito grande para mim, na verdade ela é desse tamanho para caber mais papel em cima dela. Aqui eu só coadjuvante.
Lá eu tinha o real player que ficava repetindo a musica “Creep” do “Radiohead” enquanto eu digitava loucamente ao meu favor, já aqui, eu tenho que abrir o Google, digitar youtube.com, digitar “creep acoustic”, e quando a musica acaba eu tenho que abrir a pagina e aperta o play.(Tai uma coisa que o youtube poderia acrescentar no site, um botão para repetir o conteúdo).
Aqui o trabalho é continuo, não é um tipo de trabalho que acaba, é que nem merda, começa mexer fede, e demais.
As vezes acho que é por esses motivos que parei de escrever, as vezes eu acho que é a minha rotina, as vezes acho que sou vagabundo, as vezes, as vezes, as vezes.
Isso tudo foi ontem a noite, eu estava deitado na cama pensando no porque que eu parei de escrever e fiquei pensando nessas possibilidades, mais aí eu pensei, e se em vezes de achar uma desculpa eu tentasse voltar a escrever, e ta saindo esse texto que provavelmente irei achar um bosta daqui 5 minutos, 5 minutos é tempo deu termina, abrir o blogger postar, ler e me achar um babaca em tentar resgatar um época, o ambiente, é você quem faz.


18/03/2010 2 comentários

Sociedade Vio Lenta.

Assistindo ao noticiário da noite, lembrei-me de quando a TV me transmitia uma companhia mais agradável aos embalos de Tom e Jerry, Chaves e entre outros personagens que "perdem" a graça ao passar do tempo. 

A violência tomou conta de tudo, é crianças sendo exploradas, tiro na cabeça de quem anda despercebidos, mães desesperadas amarrando seus filhos ao pé da cama, violação feminina em becos conhecidos, tudo isso entre as amarguras de uma sociedade que dança ao som de conformismo, conformismo citada na musica do Renato Russo, “a violência é tão fascinante, e nossas vidas são tão normais” frase que transmite exatamente o que se passa na cabeça de uma nação entregue ao governo que apenas se preocupa com o volume no bolso, cueca ou ate mesmo nas meias.

Todos ficam indignados com que vêem, mais tem consigo que jamais ocorrera isso com ele, ou com seus entes queridos, mas basta uma “bala perdida” penetrar uma cabeça atarefada de um “Zé qualquer” que começam as passeatas pela paz.

Fico pensando em quantas vidas serão necessárias para se achar a paz, ou quando a sociedade vai começar a pensar antes de brincar em frente a uma urna, ou até mesmo quando o respeito e o amor vão virar algo comum no dia-dia.

São apenas pensamentos, “Afinal, amar ao próximo é tão démodé”.

12/03/2010 0 comentários

O riso.

Todo termino de namoro é difícil, e para João aquele estava sendo o pior de todos. Justo o relacionamento que ele mais se dedicou, para ele aquela paixão era o ponto final de sua perseguição ao amor, ou comodismo.

Saiu da casa dela inconformado, foi ele mesmo que terminou o namoro, ele tinha certeza que ao falar o seu verdadeiro sentimento ela iria pedir uma chance para mudar, que nada, o futuro dela estava um passo a frente dos dois. Tempo perdido.

Decidiu caminhar ate a casa de seu amigo, o caminho era longo, mas não era maior que suas lembranças e sua raiva, sentimentos que o acompanhou ate lá.

Felipe não era um dos melhores conselheiros, a sua maior aventura em vida foi ficar 24h em frente ao computador jogando tíbia enquanto comia amendoim.

Conversaram pouco sobre, e no meio de suas múrmuras João se depara com o sorrido mais encantador e descompromissado que já tinha visto, era prima do Felipe transbordando alegria e simpatia. Ela o cumprimentou sorrindo, sorriso que o paralisou totalmente, tanto que ele nem conseguiu retribuir o Oi.

João estava totalmente encantado, fazia tempo que ele não era contemplado com tanta simplicidade e sutileza. A atenção dele era toda dela.

Já passava da meia noite, e Felipe se deitou para puxar um cochilo, ela foi à cozinha beber água, e foi nesse embalo de atitudes que finalmente João conseguiu trocar suas primeiras palavras com ela.

Eles conversaram com a TV ligada em um programa de humor, programa que ele tentava assistir com a outra. Ela achava ridículo quem ficava em frente a uma TV rindo. Esse era um dos seus grandes hobby.

O tempo passava calmamente entre olhares e risos.

Eles compartilharam as cenas mais hilárias de suas vidas. Eles riram e se esqueceram daqueles que não o souberam admirar as coisas simples da vida.

A noite acabou em um beijo, e João voltou para sua casa.

O caminho era longo, mas não era maior que sua alegria e sua paz.

04/03/2010 0 comentários

Ser, Humano.

O que é ser humano? Pensar com a razão, com a emoção, não pensar, sentir?

Muito dizem que temos que aprender a balancear essas emoções para ter uma vida moderada entre todos, ser aceito em qualquer ocasião. Mas ainda não me acostumei com aqueles que me pedem uma opinião sincera, e quando ouvi não gostam, dizem que sou muito direto, e como se fala uma verdade sem ser direto?

E quando eu cito as probabilidades de algo dar errado eles falam que eu sou pessimista, pessimista não, realista, que é uma coisa totalmente diferente.

E se falo que tudo pode ocorrer bem, eu sou um sonhador.

Quando estou falando muito eu encho o saco, se fico quieto, estou muito calado.

Se vou de moto ao supermercado perto de casa, eu sou sedentário, se vou a pé me perguntam por que eu não uso a moto.

Não os entendo. E ainda me dizem, que sou dono de uma personalidade forte, não sou. Ate que provem o contrario.

 O “ser humano”, é uma raça que dizem que é racional, mas cometem os erros que nem o meu falecido cachorro cometeria. E tem muito que adoram uma seqüência de racionalidade.

Mentir: 2+2=0

Ignorância: 2+2= 1.589,000

 Preguiça: 2+2=...

Egocentrismo: 2+2= eu sou foda! Se quizer saber quanto é faça você mesmo a conta!

 Ambição: 2+2= 6.

 Egoísmo: 2/2=0

Essas são alguns tipos de personalidades, que, para muitos é modo de viver.

Mas sempre tem aquela turma que quando olho, me da um pouco de esperança, cenas simples mesmo. Quem nunca viu no transito alguém avisar que a porta esta aberta, ou ate mesmo deixar você passar na frente, respeitando a sua seta.

A verdade é que os seres humanos conseguem ser belos e ao mesmo tempo horríveis, com sua maldade.





03/03/2010 0 comentários

Nota.

Escrever na mesma intensidade de fevereiro...
25/02/2010 2 comentários

O que me falta?

Solidão, é uma palavra tão bem acompanhada, tem até um“tio”entre eles, e ela representa um momento que todos nos passamos, as vezes fico pensando: será que o A da solidÃo mesmo estando acompanhado de todas essas letras, com um tio em cima dele... Será que ele se sente sozinho?

Há momentos na vida que mesmo estando rodeado de amigos, família, amores, oportunidades, nos sentimos sozinhos, um vazio sem explicação, é como se faltasse algo para nos completar, é quando você para pra pensar e vê que já você possui tudo que é preciso para sobreviver, pior quando você pega a vida dos outros para comparar com a sua e vê o quanto esta sendo mesquinho, vê o tamanho real do seu problema em relação ao outro.

Mas afinal, o que me falta? Paz? Alegria? Sorriso? Ser feliz?

Sempre corria atrás da paz, sempre a buscava nos becos mais silenciosos, quanto menos barulho eu ouvia, mais o cheiro da paz era forte, mas eu estava totalmente enganado, ela sempre esteve comigo, ela nasceu comigo, a culpa era minha de nunca ter dado uma chance para ela se manifestar, fazer parte do meu dia – dia. Nós somos a paz desejada, basta se dar uma chance.

Alegria, isso posso dizer que carrego no peito, por mais que as dificuldades insistem em bater na minha porta eu mando a alegria ir recepcioná-la. É o melhor remédio contra os males, males que te acompanharam a vida inteira. O bom humor é o segredo.

Foi com a minha timidez que eu aprendi a sorrir para tudo, logo depois do vermelhidão no rosto ele vem, de ponta a ponta. Mais foi com o passar do tempo que eu reparei que um bom dia acompanhado de um sorriso fica atraente, fica gratificante, fica mais intimo. Foi no desespero que aprendi a sorrir, a tristeza fica totalmente sem graça quando ela vê um sorriso, sinal de missão fracassada para ela.

E com tudo isso cheguei a conclusão que... SIM! eu sou feliz! Eu sou o A que completa qualquer palavra, eu sou o A da minha pAz. E não estou sozinho, acima mim tem um tio, que me faz ser a sílaba tônica da minha vida.


24/02/2010 1 comentários

My brother.

Ontem peguei meu irmão mais velho chorando, fiquei assustado, pelo fato de ter visto poucas vezes ele chorando, as lagrimas dele viraram nostalgia para mim, me lembrei da época de moleque, quando eu e ele apanhávamos de cinta do meu pai quando aprontávamos, ele quase nunca chorava.

Eu era um boca aberta, antes mesmo da cintada eu já estava chorando, falando que tava doendo, para! pelo amor de Deus... Ele sempre foi frio, às vezes disfarçava e dava risada, e depois da surra ele virava para mim e dizia, “só as menininhas que choram” e sai dando risada e pensando na próxima aventura com direto a cintada. E eu ficava no quarto pensando no que tinha me dito. E chorando.

Amo muito meu irmão, mas não o tenho como ídolo igual os outros irmãos mais novos, sempre quis ser o contrario dele. Ele sempre foi uma pessoa centrada, sério, trabalhador. Tenho poucas lembranças dele pedindo dinheiro para meu pai, ele fazia o que fosse preciso para não chegar a esse ponto. O ruim disso para mim era que meu pai o dava como exemplo e falava que eu deveria fazer o mesmo. Eu não!

Meu pai sempre me dizia que era para eu curti cada segundo da minha infância, pois ela ia se passaria rápido e jamais voltaria e eu sentiria falta dela, e como era possível ter uma infância e responsabilidade ao mesmo tempo? Bom eu não sei, tanto que eu vivia pedindo uns trocadinhos para ele.

Meu irmão, ele dava a cara para bater, entregava panfletos, carpia quintal, tirava entulho, quem o via acha que a nossa família estava passando fome, eu achava ridículo o que ele fazia, meus pais tinham orgulho. Eu tinha raiva, queria que ele fosse meu irmão de verdade, queria que ele me ensinasse fazer pipa, rodar pião, jogar bolinha de gude, que nada ele queria mesmo era ganhar dinheiro. E sempre sério, sem tempo para brincar.

Mesmo no auge dos meus 9 anos eu me perguntava: porque um moleque de 12 anos chamaria a responsabilidade tão cedo? E sem necessidade.

Eu nunca obtive essa resposta, mas tinha certeza que a infância lhe faria falta lá na frente, para mim a infância é tudo, e a melhor época da vida de uma pessoa, é lá que ela aprende a perde, ganhar, dividir, jogar dentro das regras, dar uns beijinhos, dar risada de coisas banais e ele não sabiam o que era isso. Coitado.

Dito e feito, com o passar do tempo aquele cara sério virou uma criança, uma criança preso dentro de um corpo de homem, ele tinha suas responsabilidades de homem, mas o empurra com a barriga, não quer nada com nada, não curte receber ordem, se acha superior ao demais, não aceita conselhos e sempre que pode tira onda com a cara dos outros.  Não o culpo, mas não o entendo.

Sei que ninguém bate mais forte que a vida, e vai ser ela que vai o colocar no trilho, mas independente do que for eu o amo. E sempre vou o amar.



19/02/2010 2 comentários

Meu mundo era meu quintal

Ontem estava lembrando da minha infância, de como tudo era mais fácil. Lembrei-me do portão marrom com um pedaço de arame na ponta, aquele arame era a certeza da minha mãe que eu não iria escapar. Eu olhava lá de baixo e ficava pensando no dia eu que eu iria alcançar a minha liberdade.

Eu passava horas observando o movimento da rua, era uma das coisas que eu mais gostava de fazer naquela idade. Lembro-me muito bem do pamonheiro passando e gritando: “olha o pamonheiro, barateiro, pamonha nova pelo preço velho” eu achava muito engraçado, sempre que eu o via, saia correndo chamar minha mãe, não para comprar, mas sim para ver as rimas do “Sr. Pamonheiro “, ela também o achava engraçado.

Naquela rua se passava de tudo, me lembro do “Ademir loko” meu pai sempre me dizia que ele trabalhava para o homem do saco, sempre que eu o via, saia correndo deixando meus brinquedos para trás e rezava para que ele também não alcançasse aquele arame. Ele se quer olhava para minha casa. Ainda bem.

Um dos grandes ápices da minha infância foi quando eu aprendi a subir na arvore, foi de lá de que eu percebi que o Ademir loko nem olhava para minha casa. Aquela arvore era meu playground, ela foi balanço, casa, esconderijo, cama, minha verdadeira sombra, passava mais tempo com ela do que com meu bonequinho do Chuck Norris.

Lembro-me também do espaço que eu tinha em casa, me sentia privilegiado, era um terreno de 25x30m, ali eu podia correr, pular, me sentia livre mesmo sem saber o que era liberdade, e o melhor de tudo, tinha terra, aquela terra bem marrom que minha mãe passava horas no tanque para tentar tirar das minhas roupas brancas. Coitada. Dia triste foi quando meu pai resolveu cimentar o quintal, lembro-me que chorei muito.

Outro dia assustador foi quando o muro que fazia sombra para o quintal resolveu despencar dos seus 15 metros de altura. Nunca tinha visto minha mãe e meu pai desesperado. Meu irmão mais velho tinha desaparecido, minha mãe com seu desespero tirava as pedras, entulhos com as unhas e gritos. Eu fiquei paralisado. Lembro-me muito bem que meu irmão chegou sem saber o que estava acontecendo e começou a ajudar minha mãe a tirar as pedras do muro desbarrancado, ela demorou cerca de 5 minutos para perceber que ele estava do lado dela, foi uma cena engraçada e trágica ao mesmo tempo, foi lindo ver ela abraçando ele, chorando e rindo em um borbulho de emoções. Ate hoje é uma historia que cotamos em roda de família.

O grande dia foi quando o os portões marrons se abriram para mim. Era meu primeiro dia no prézinho e o primeiro sem minha mãe por perto para me dizer o que era certo e o que era errado. Enfim liberdade. Mas a lembrança mais forte que tenho dessa época, era a vontade de voltar para meu mundinho, o meu quintal.



17/02/2010 2 comentários

1890

João era um senhor que vivia sozinho em uma casa triste, casa que ainda mantinha a arquitetura de 1890. Ele sempre dizia a sua esposa que o tempo poderia passar, mas suas lembranças seriam mantidas, pelo menos ate o dia de sua partida.
Sua vida não foi de grandes batalhas, vida pacata com metas traçadas pelo seu pai, era ele quem ditava as regras da vida, vivia lhe dizendo a seguinte frase:
“O trabalho afasta de nós três grandes males: o tédio, o vício e a necessidade." Então meu filho, trabalhe!
Texto do Voltaire, que, até aquele momento era uma frase sábia. Para ele.
O tédio foi à primeira coisa que devorou parte de sua vida, ele viu metade dela indo embora pelo ralo do galpão da produção onde trabalhou por 48 anos, e agora não tem direito a nada.
Sem percebe o trabalho tinha se tornado seu vicio, ate então esse vicio era camuflado no medo de sua família passar fome, sem percebe João trabalhou dia e noite, com sol e chuva e a vida passando.
A necessidade veio logo que ele percebeu o tédio que sua vida era e o vicio que ele se encontrava. Necessidade de viver, tarde demais. Seus filhos já nem moravam mais com ele, sua esposa no descanso eterno e João? Mantendo sua historia em pé. Com cimento, tijolos e solidão.
10/02/2010 3 comentários

A partida.

Foi no mês de junho que tudo aconteceu, era uma noite fria, típica noite de inverno europeu, noite boa para fica em casa e tomar um chocolate quente, assistir um filme ou ate mesmo dormi. Não para Felipe.

Após desligar seu celular, Felipe correu desesperadamente para sua casa, deixando a roda de amigos sem explicações, apenas saiu correndo, mesmo morando a mais de 18 anos na mesma rua, ele corria sem rumo, mas rápido. Correu em uma velocidade como nunca tivesse corrido antes, o que fez lembrar-se da época da escola quando ele corria apenas por diversão e fez lembrar quanto tempo que ele não corria.

Ao longo do caminho vários filmes se passaram pela cabeça confusa dele, de tudo que ele tinha aprendido com Ele, todas as conversas, dos aprendizados, do quanto Ele era importante, isso resultou em lagrimas e mais desespero. A cena começou ficar drástica, as poucas pessoas que estavam na rua olhavam para ele assustado e fazendo as pessoas pesarem no que poderia estar acontecendo.

A disposição já não era a mesma, entre as pausas para os soluços de seu desespero, ele tentava respirar para manter o ritmo, estava perto, faltava apenas uma quadra, já dava para avistar sua irmã no portão esperando por ele. Chorando.

Ao passar pelo portão, as lembranças começaram a sufocar seu coração, o desespero maior o esperava na porta de sua casa, ele sentia que algo iria mudar, e isso o assustava de tal forma que suas pernas tremiam diante daquela situação, os detalhes o fazia lembrar o primeiro dia Dele naquela casa e o quanto ele era irresponsável em deixar Ele chegar nessa situação.

Ao chegar em seu quarto ele estava lá, paralisado, imóvel, já sem nenhum sinal vital. Não tinha o que fazer a não ser comprar outro computador. Ele se foi.

Perdeu todos seus arquivos.

Lembranças apagadas.



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Sem direção

Em busca do equilíbrio entre a emoção e a razão

Sobrevivendo na selva de pedra sem nenhum arranhão

Eu vou aprender a viver, eu viver para aprender

Viver a rotina de uma ilusão, caminha sem direção


Para levantar a minha baixa alta estima

Viver assim é viver só

Quero a força que vem lá de cima

Bater mais forte que o sol.


Cantando minha musica que não tem refrão

Para acompanhar a rotina em qualquer direção

Eu vou dizer á você, tudo que vai acontecer

Vai viver a rotina de uma ilusão 

Caminha sem direção


Para levantar a minha baixa alta estima

Viver assim é viver só

Quero a força que vem lá de cima

Bater mais forte que o sol.




09/02/2010 3 comentários

Surpresa!

Era uma manha comum, pelo menos para Victor, todos em sua volta se preparando para embarcar com seus deveres, e Victor apenas observando, como se sua vida já estivesse encaminhada em seus 22 anos de pura curtição e sorte.

Ele nunca precisou fugir da realidade ou ate mesmo desabafar com alguém, nunca tinha ficado bêbado em sua vida, tinha tudo sobre controle. Vai ver que esse era o problema dele, não ter problemas.

Ate que em uma tarde calorosa ele foi pego de surpresa, seu patrão o chamou em sua sala, na cabeça dele era mais uma daquelas seções de elogios e gratidão, isso na cabeça dele. Surpreendentemente ele recebeu o aviso prévio.

Pela primeira vez Victor tinha um problema.

Ligou para o amigo...

Vamos beber hoje?


 

08/02/2010 3 comentários

Poeta eterno.

Depois de voltar da sua ultima viajem, Thiago encontrava se em prantos, novamente, ele não aceitava sua sina, viver o que já está pronto não era o que ele buscava, ele sempre soube que a vida é muito mais que dinheiro e metas capitalistas, ele queria e sabia que com suas poesias ele poderia mudar algo, semear as mentes obstruídas e perdidas no meio do caos da vida urbana, apenas descrevendo a sua visão e realidade.

Ele ate que levava uma vida pacata, procurando sempre viver em harmonia e em paz com sigo mesmo, mas ele tinha algo diferente, ele pensava, uma coisa totalmente inaceitável na sociedade alienada de hoje.

_ porque alguém em sã consciência iria pensar, refletir, escrever sobre algo? Pra que? Quem iria lhe dar atenção? Isso era o que eles pensavam.

 Esse era o fardo que ele sempre carregou desde cedo, só pelo simples fato de pensar, mas é nesse cenário de rejeição e aflição que ele se adaptava com suas escritas, foi de lá que saíram suas melhores poesias, era no meio da solidão que ele encontrava a melhor companhia, o silencio.

Foi no meio da solidão que ele aprendeu a ouvir o que o silencio tinha para dizer, muitos acreditam que ele apenas descrevia o que o silencio dizia nos seus ouvidos, mas na verdade ele aprendeu a ouvir o que sua alma gritava diante da decadência da humanidade, ao longo do tempo os gritos viraram sussurros, ele sentia a poesia, estava entrosado com sigo mesmo, atingiu o ápice da paz interior.

Suas poesias eram balanceadas, suaves, era um verdadeiro baile das letras, e ele debutava com sua alma em uma melodia instantânea em passos sincronizados ate o ponto final da poesia.

Passar esse êxtase a diante era o que ele mais desejava, desejava ate mais do que viver sua própria poesia, ele queria compartilhar com todos a verdadeira sensação da liberdade, pois ele tinha consciência que ninguém conhecia essa face, e sabia que a paz espiritual só viria se todos se libertassem da rotina e do cotidiano e descobrissem que a poesia pode ser sua companhia.

Em noites frias e secas, ela te abraçara.

 Nas dificuldades, ela será seu melhor refugio.

Nas alegrias, seu sorriso verdadeiro.

Nas solidões, a sua melhor companhia.

Nos abandonos, sua casa.

Essa é a companhia do poeta urbano, que estava apenas querendo passa para frente um verdadeiro sentimento.

Poderia dizer que ele é uma lenda entre os alienados, mas ele ainda habita no planeta poeticamente inabitável, sempre viajando, mas não nessa realidade.


05/02/2010 2 comentários

O que seria? (Glycerine)

Eu posso ser sim, mesmo que não 

Posso ser real e andar na contra mão

Sou tudo aquilo que não compensou

Eu sou um erro, um processo que falhou

 

Fora do trilho, vivendo sem ritmo

Buscando uma luta, batendo sem motivo

Não quero sua ajuda, não me iluda

A vida passa e ela sempre me empurra 

 

Às vezes fico comigo mesmo eu não penso...

O que seria?

Da minha vida

 

Agora sozinho, eu penso em vão

Me faça um favor, não me empreste a atenção

Busquei meu valor, paguei o que não tinha

Moedas altas, dei tudo o que valia

 

Sentidos dormentes e eu sem razão

Estou um passo a frente, a frente do perdão

Mesmo sozinho fico a pensar

Em varias maneiras de desabafar

 

Às vezes fico comigo mesmo, eu não penso...

O que seria?

Da minha vida



 
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