18/03/2010 2 comentários

Sociedade Vio Lenta.

Assistindo ao noticiário da noite, lembrei-me de quando a TV me transmitia uma companhia mais agradável aos embalos de Tom e Jerry, Chaves e entre outros personagens que "perdem" a graça ao passar do tempo. 

A violência tomou conta de tudo, é crianças sendo exploradas, tiro na cabeça de quem anda despercebidos, mães desesperadas amarrando seus filhos ao pé da cama, violação feminina em becos conhecidos, tudo isso entre as amarguras de uma sociedade que dança ao som de conformismo, conformismo citada na musica do Renato Russo, “a violência é tão fascinante, e nossas vidas são tão normais” frase que transmite exatamente o que se passa na cabeça de uma nação entregue ao governo que apenas se preocupa com o volume no bolso, cueca ou ate mesmo nas meias.

Todos ficam indignados com que vêem, mais tem consigo que jamais ocorrera isso com ele, ou com seus entes queridos, mas basta uma “bala perdida” penetrar uma cabeça atarefada de um “Zé qualquer” que começam as passeatas pela paz.

Fico pensando em quantas vidas serão necessárias para se achar a paz, ou quando a sociedade vai começar a pensar antes de brincar em frente a uma urna, ou até mesmo quando o respeito e o amor vão virar algo comum no dia-dia.

São apenas pensamentos, “Afinal, amar ao próximo é tão démodé”.

12/03/2010 0 comentários

O riso.

Todo termino de namoro é difícil, e para João aquele estava sendo o pior de todos. Justo o relacionamento que ele mais se dedicou, para ele aquela paixão era o ponto final de sua perseguição ao amor, ou comodismo.

Saiu da casa dela inconformado, foi ele mesmo que terminou o namoro, ele tinha certeza que ao falar o seu verdadeiro sentimento ela iria pedir uma chance para mudar, que nada, o futuro dela estava um passo a frente dos dois. Tempo perdido.

Decidiu caminhar ate a casa de seu amigo, o caminho era longo, mas não era maior que suas lembranças e sua raiva, sentimentos que o acompanhou ate lá.

Felipe não era um dos melhores conselheiros, a sua maior aventura em vida foi ficar 24h em frente ao computador jogando tíbia enquanto comia amendoim.

Conversaram pouco sobre, e no meio de suas múrmuras João se depara com o sorrido mais encantador e descompromissado que já tinha visto, era prima do Felipe transbordando alegria e simpatia. Ela o cumprimentou sorrindo, sorriso que o paralisou totalmente, tanto que ele nem conseguiu retribuir o Oi.

João estava totalmente encantado, fazia tempo que ele não era contemplado com tanta simplicidade e sutileza. A atenção dele era toda dela.

Já passava da meia noite, e Felipe se deitou para puxar um cochilo, ela foi à cozinha beber água, e foi nesse embalo de atitudes que finalmente João conseguiu trocar suas primeiras palavras com ela.

Eles conversaram com a TV ligada em um programa de humor, programa que ele tentava assistir com a outra. Ela achava ridículo quem ficava em frente a uma TV rindo. Esse era um dos seus grandes hobby.

O tempo passava calmamente entre olhares e risos.

Eles compartilharam as cenas mais hilárias de suas vidas. Eles riram e se esqueceram daqueles que não o souberam admirar as coisas simples da vida.

A noite acabou em um beijo, e João voltou para sua casa.

O caminho era longo, mas não era maior que sua alegria e sua paz.

04/03/2010 0 comentários

Ser, Humano.

O que é ser humano? Pensar com a razão, com a emoção, não pensar, sentir?

Muito dizem que temos que aprender a balancear essas emoções para ter uma vida moderada entre todos, ser aceito em qualquer ocasião. Mas ainda não me acostumei com aqueles que me pedem uma opinião sincera, e quando ouvi não gostam, dizem que sou muito direto, e como se fala uma verdade sem ser direto?

E quando eu cito as probabilidades de algo dar errado eles falam que eu sou pessimista, pessimista não, realista, que é uma coisa totalmente diferente.

E se falo que tudo pode ocorrer bem, eu sou um sonhador.

Quando estou falando muito eu encho o saco, se fico quieto, estou muito calado.

Se vou de moto ao supermercado perto de casa, eu sou sedentário, se vou a pé me perguntam por que eu não uso a moto.

Não os entendo. E ainda me dizem, que sou dono de uma personalidade forte, não sou. Ate que provem o contrario.

 O “ser humano”, é uma raça que dizem que é racional, mas cometem os erros que nem o meu falecido cachorro cometeria. E tem muito que adoram uma seqüência de racionalidade.

Mentir: 2+2=0

Ignorância: 2+2= 1.589,000

 Preguiça: 2+2=...

Egocentrismo: 2+2= eu sou foda! Se quizer saber quanto é faça você mesmo a conta!

 Ambição: 2+2= 6.

 Egoísmo: 2/2=0

Essas são alguns tipos de personalidades, que, para muitos é modo de viver.

Mas sempre tem aquela turma que quando olho, me da um pouco de esperança, cenas simples mesmo. Quem nunca viu no transito alguém avisar que a porta esta aberta, ou ate mesmo deixar você passar na frente, respeitando a sua seta.

A verdade é que os seres humanos conseguem ser belos e ao mesmo tempo horríveis, com sua maldade.





03/03/2010 0 comentários

Nota.

Escrever na mesma intensidade de fevereiro...
25/02/2010 2 comentários

O que me falta?

Solidão, é uma palavra tão bem acompanhada, tem até um“tio”entre eles, e ela representa um momento que todos nos passamos, as vezes fico pensando: será que o A da solidÃo mesmo estando acompanhado de todas essas letras, com um tio em cima dele... Será que ele se sente sozinho?

Há momentos na vida que mesmo estando rodeado de amigos, família, amores, oportunidades, nos sentimos sozinhos, um vazio sem explicação, é como se faltasse algo para nos completar, é quando você para pra pensar e vê que já você possui tudo que é preciso para sobreviver, pior quando você pega a vida dos outros para comparar com a sua e vê o quanto esta sendo mesquinho, vê o tamanho real do seu problema em relação ao outro.

Mas afinal, o que me falta? Paz? Alegria? Sorriso? Ser feliz?

Sempre corria atrás da paz, sempre a buscava nos becos mais silenciosos, quanto menos barulho eu ouvia, mais o cheiro da paz era forte, mas eu estava totalmente enganado, ela sempre esteve comigo, ela nasceu comigo, a culpa era minha de nunca ter dado uma chance para ela se manifestar, fazer parte do meu dia – dia. Nós somos a paz desejada, basta se dar uma chance.

Alegria, isso posso dizer que carrego no peito, por mais que as dificuldades insistem em bater na minha porta eu mando a alegria ir recepcioná-la. É o melhor remédio contra os males, males que te acompanharam a vida inteira. O bom humor é o segredo.

Foi com a minha timidez que eu aprendi a sorrir para tudo, logo depois do vermelhidão no rosto ele vem, de ponta a ponta. Mais foi com o passar do tempo que eu reparei que um bom dia acompanhado de um sorriso fica atraente, fica gratificante, fica mais intimo. Foi no desespero que aprendi a sorrir, a tristeza fica totalmente sem graça quando ela vê um sorriso, sinal de missão fracassada para ela.

E com tudo isso cheguei a conclusão que... SIM! eu sou feliz! Eu sou o A que completa qualquer palavra, eu sou o A da minha pAz. E não estou sozinho, acima mim tem um tio, que me faz ser a sílaba tônica da minha vida.


24/02/2010 1 comentários

My brother.

Ontem peguei meu irmão mais velho chorando, fiquei assustado, pelo fato de ter visto poucas vezes ele chorando, as lagrimas dele viraram nostalgia para mim, me lembrei da época de moleque, quando eu e ele apanhávamos de cinta do meu pai quando aprontávamos, ele quase nunca chorava.

Eu era um boca aberta, antes mesmo da cintada eu já estava chorando, falando que tava doendo, para! pelo amor de Deus... Ele sempre foi frio, às vezes disfarçava e dava risada, e depois da surra ele virava para mim e dizia, “só as menininhas que choram” e sai dando risada e pensando na próxima aventura com direto a cintada. E eu ficava no quarto pensando no que tinha me dito. E chorando.

Amo muito meu irmão, mas não o tenho como ídolo igual os outros irmãos mais novos, sempre quis ser o contrario dele. Ele sempre foi uma pessoa centrada, sério, trabalhador. Tenho poucas lembranças dele pedindo dinheiro para meu pai, ele fazia o que fosse preciso para não chegar a esse ponto. O ruim disso para mim era que meu pai o dava como exemplo e falava que eu deveria fazer o mesmo. Eu não!

Meu pai sempre me dizia que era para eu curti cada segundo da minha infância, pois ela ia se passaria rápido e jamais voltaria e eu sentiria falta dela, e como era possível ter uma infância e responsabilidade ao mesmo tempo? Bom eu não sei, tanto que eu vivia pedindo uns trocadinhos para ele.

Meu irmão, ele dava a cara para bater, entregava panfletos, carpia quintal, tirava entulho, quem o via acha que a nossa família estava passando fome, eu achava ridículo o que ele fazia, meus pais tinham orgulho. Eu tinha raiva, queria que ele fosse meu irmão de verdade, queria que ele me ensinasse fazer pipa, rodar pião, jogar bolinha de gude, que nada ele queria mesmo era ganhar dinheiro. E sempre sério, sem tempo para brincar.

Mesmo no auge dos meus 9 anos eu me perguntava: porque um moleque de 12 anos chamaria a responsabilidade tão cedo? E sem necessidade.

Eu nunca obtive essa resposta, mas tinha certeza que a infância lhe faria falta lá na frente, para mim a infância é tudo, e a melhor época da vida de uma pessoa, é lá que ela aprende a perde, ganhar, dividir, jogar dentro das regras, dar uns beijinhos, dar risada de coisas banais e ele não sabiam o que era isso. Coitado.

Dito e feito, com o passar do tempo aquele cara sério virou uma criança, uma criança preso dentro de um corpo de homem, ele tinha suas responsabilidades de homem, mas o empurra com a barriga, não quer nada com nada, não curte receber ordem, se acha superior ao demais, não aceita conselhos e sempre que pode tira onda com a cara dos outros.  Não o culpo, mas não o entendo.

Sei que ninguém bate mais forte que a vida, e vai ser ela que vai o colocar no trilho, mas independente do que for eu o amo. E sempre vou o amar.



19/02/2010 2 comentários

Meu mundo era meu quintal

Ontem estava lembrando da minha infância, de como tudo era mais fácil. Lembrei-me do portão marrom com um pedaço de arame na ponta, aquele arame era a certeza da minha mãe que eu não iria escapar. Eu olhava lá de baixo e ficava pensando no dia eu que eu iria alcançar a minha liberdade.

Eu passava horas observando o movimento da rua, era uma das coisas que eu mais gostava de fazer naquela idade. Lembro-me muito bem do pamonheiro passando e gritando: “olha o pamonheiro, barateiro, pamonha nova pelo preço velho” eu achava muito engraçado, sempre que eu o via, saia correndo chamar minha mãe, não para comprar, mas sim para ver as rimas do “Sr. Pamonheiro “, ela também o achava engraçado.

Naquela rua se passava de tudo, me lembro do “Ademir loko” meu pai sempre me dizia que ele trabalhava para o homem do saco, sempre que eu o via, saia correndo deixando meus brinquedos para trás e rezava para que ele também não alcançasse aquele arame. Ele se quer olhava para minha casa. Ainda bem.

Um dos grandes ápices da minha infância foi quando eu aprendi a subir na arvore, foi de lá de que eu percebi que o Ademir loko nem olhava para minha casa. Aquela arvore era meu playground, ela foi balanço, casa, esconderijo, cama, minha verdadeira sombra, passava mais tempo com ela do que com meu bonequinho do Chuck Norris.

Lembro-me também do espaço que eu tinha em casa, me sentia privilegiado, era um terreno de 25x30m, ali eu podia correr, pular, me sentia livre mesmo sem saber o que era liberdade, e o melhor de tudo, tinha terra, aquela terra bem marrom que minha mãe passava horas no tanque para tentar tirar das minhas roupas brancas. Coitada. Dia triste foi quando meu pai resolveu cimentar o quintal, lembro-me que chorei muito.

Outro dia assustador foi quando o muro que fazia sombra para o quintal resolveu despencar dos seus 15 metros de altura. Nunca tinha visto minha mãe e meu pai desesperado. Meu irmão mais velho tinha desaparecido, minha mãe com seu desespero tirava as pedras, entulhos com as unhas e gritos. Eu fiquei paralisado. Lembro-me muito bem que meu irmão chegou sem saber o que estava acontecendo e começou a ajudar minha mãe a tirar as pedras do muro desbarrancado, ela demorou cerca de 5 minutos para perceber que ele estava do lado dela, foi uma cena engraçada e trágica ao mesmo tempo, foi lindo ver ela abraçando ele, chorando e rindo em um borbulho de emoções. Ate hoje é uma historia que cotamos em roda de família.

O grande dia foi quando o os portões marrons se abriram para mim. Era meu primeiro dia no prézinho e o primeiro sem minha mãe por perto para me dizer o que era certo e o que era errado. Enfim liberdade. Mas a lembrança mais forte que tenho dessa época, era a vontade de voltar para meu mundinho, o meu quintal.



 
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