Após pensamentos, resenhas, sonhos, pesadelos e bastante baba no meu travesseiro, eu acordei muito aliviado, com a mente em branco, acordei de bem comigo mesmo. Logo depois dos braços esticados e um longo bocejo pensei... “vou marca esse dia com um texto”, mas não vai ser qualquer textinho, vai ser “O texto” palavras que descrevam exatamente como estou de bem comigo mesmo, ate porque é de fato um dia histórico. (para mim)
Sentei em frente ao computador, abri a pasta de musicas do Radiohead, automaticamente a seta do mouse selecionou a musica “creep” e já colocou no “repete” (não sei explicar o porquê, mais essa musica domina minha mente) e para completar as ferramentas de um bom texto abri um arquivo no Word, pronto, tinha tudo que precisava! Opa!, Me esqueci do velho e bom companheiro, o copo com café, agora sim estou pronto, só falta um assunto, um assunto que possa ser a porta para eu poder descrever minha alegria em estar alegre sem motivo.
A musica de fundo rasgava meu cérebro de tal forma que bloqueava meus pensamentos, não entrava nada, então resolvi busca inspiração em outros pensamentos.
Abri a pagina de poesias do Thiago Kaza li algumas de suas viagens mentais e nesse mesmo embalo cabei parando na pagina do Renato Mourato, suas historias, fabulas e observações ainda não era o que eu buscava nesse dia especial, abri meus favoritos e encontrei um blog com as crônicas do Arnaldo Jabor, li duas (eu acho) e mesmo assim aquela paz que dominava meu dia ainda estava em branco, eu queria a qualquer custo transformar aquela tranqüilidade em letras, mas a imensidão da felicidade era maior.
Aquela tela em branco começou a me dar desespero, e o que eu buscava era uma coisa simples, eu só queria um bilhete da mega sena premiado e um tema para descrever toda aquela alegria, que por sinal já estava se despedindo para a troca de turno com o stress.
Não é possível, eu estava feliz e não conseguia transmitir, resolvi trocar de musica, continuei no Radiohead, mas agora com “Fake Plastic Trees” por mais que as letras sejam parecidas “FPT” abria um vazio maior na minha cabeça, voltei no “Creep”.
Resolvi analisar o dia anterior a essa felicidade, vai ver que o motivo desse dia de paz esteja la. Pensei, lembrei, relembrei e nada, depois de fracassar na tentativa de passar a diante o que eu sentia, resolvi desliga tudo e curti minha felicidade inexplicável, ate porque eu não sei quando ela vai me visitar de novo.
Não tenho manto
Não tenho dono
Não tenho marcas
Eu não tenho nada.
Tenho uma rotina
Uma família
Um queijo e uma faca
Eu to na estrada
Um olho no chão, outro logo em frente
Não posso tropeçar muito menos perde a razão a tudo aquilo que se sente
Meu Cristo levo no peito
E meus pecados nunca me esqueço
Tenho tudo que preciso
Paz, rotina e um pouco de juízo.
Digam x, se abracem por um momento
Sinta a brisa, o vento
Digam x para o flash da ilusão que pára o tempo
Num futuro que não pára de chegar.
Digam x, fiquem juntos por mais algum segundos
Digam x, vamos, sorriam todos juntos
Vamos brincar de ser feliz em apenas um “click”
Não vivem, funcionam
Não morram, desliguem se
Não parem, fique em stand by
Após o click podem voltar ao seu lugar
Levam uma vida que oprimem a vida
Tentam entender o que não tem resposta
Fazem mal a si mesmo
Peguem uma maquina e digam x
Não vou me render ao seu ponto de vista
Mesmo sabendo que meus pensamentos já foram seus um dia
Toda noite invadindo meus sonhos
Em um futuro que nem existiu
Agora são apenas lembranças em noites febris
Mesmo vivendo em mundos distantes
Parece que estamos mais unidos do que antes
Unidos pela utopia de um beijo
Passado, futuro e um desejo
Sempre tento fugir da minha monotonia
Se esquivando de pensamentos seus que vem todo dia
Estamos perdidos juntos, nos procurando lado a lado
O que nos uni hoje são os pensamentos e nossos lábios
Mesmo vivendo em mundos distantes
Parece que estamos mais unidos do que antes
Unidos pela utopia de um beijo
Passado, futuro e um desejo.
É do alto que se tem a melhor visão sobre um todo
É do alto que vejo a grande corrida dos perdidos
É do alto que eu vejo o tempo na frente da vida
Correm por correr, sem saber se há um topo.
É do alto que eu me desespero
É do alto que fico de mãos atadas
É do alto da liberdade que vejo todos perdidos
Vivendo por viver sem saborear o tempo.
Mesmo com a presença do poeta da esperança
Vejo que eles não sentem muita confiança
Não percebem que o instrumento divino esta presente
Eles não se acham capazes de viver o que sentem.
É do alto do desespero que eles se perdem
É do alto da insanidade que eles se entorpecem
Acham que o mundo não merece a sua lucidez.
Metas, metas, metas, tenho mesmo que criar uma? Será que eu consigo viver sem? Ate onde eu me lembro vivi bem sem ela ate os meus 10 anos, naquela época a única meta era correr, chutar, se esconder, procurar e descobrir se no dia seguinte ia chover para não estragar a brincadeira. Apesar de que eu me amarrava em jogar futebol na chuva, minha mãe que não gostava muito.
Após essa fase de metas preocupantes, o sexo oposto começou a ficar mais interessante, mais atraente, as brincadeiras já não tinham tanta graça, a não ser “salada mista” (abençoado seja quem a inventou). Ela te aproxima de desejos e sensações nunca antes sentidas, acho que é daí que vem o nome, é uma salada de emoções, com direito de conhecer a cada sensação, uma verdadeira roleta russa do “amor”.
A única coisa ruim de tudo isso é quando você descobre que é apenas uma amostra grátis da paixão, após a salada mista as coisas começam a se dificultar com elas, e você tem o primeiro contato real com as metas. Agora você tem que as impressionar, tem que fazer, andar, falar, se vestir de uma forma que mostre que você é o cara. E isso não deixa de ser uma meta.
A meta é uma ocupação mental para o seu cotidiano, e o foco para o nada, e é uma ocupação ate o momento que você não conquistar, porque após a conquista você vai querer se atualizar, que também não deixa de ser uma meta.
Vejo a meta como um combustível para a vida, tente imagina sua vida sem uma! Seria muito sem graça, estudar para que? Trabalhar? Dinheiro? Carro?Namorar?Casar? Ir à igreja... Vou ser um pouco piedoso e vou pegar o carro como exemplo:
A maioria dos meninos, quando criança um dos primeiros presentes recebido pelo pai é um carrinho ou uma bola de futebol, ao longo ele vê que não leva tanto jeito com a bola e parte para o carinho, afinal, basta empurrá-lo e fazer um barulho estranho com a boca para simular o motor do carango e pronto, você está habilitado para “dirigir” seu carro.
O tempo passa, e com ele vem aquele sonho de infância, fazer aquele carinho de R$ 1,99 virar um carro digno de uma “pescoçada feminina” para essa meta ser realizada você vai passar boa parte da sua vida sacrificando seus trocados por ele ou entrar em um financiamento de 60X, e o mais estranho de tudo é que quando você o adquirir vai querer trocar as rodas, porque ela não tem tanto estilo (como o do seu amigo), ou colocar aquele som com cornetas ensurdecedoras que mais parecem um trio elétrico em pleno carnaval na Bahia, lógico que não pode falta os insulfilm, um aro 16 cromado, farol neon... Mas ta faltando alguma coisa! Ah lembrei, dinheiro, e lá vai você de novo traçar uma meta, mas corra porque ano que vem tem novo modelo no mercado.
Ela me faz repensar, reformular, resistir, representar, repetir, reabrir, reaproximar, revelar, redescobrir, reaproveitar, reabastecer, reabilitar, readaptar e a melhor de todas, refletir, saca?
No entanto, a reflexão “pós-ressaca” é a mais comum e a que mais pesa entre todas, ela sempre te faz pensar nas atitudes já tomadas, pensar nas conseqüências, toda história tem que ter um vilão, e é aqui que o álcool entra, ele sempre te encoraja fazendo você mostrar o verdadeiro sentimento ou desejo, isso é o que dizem por aí, para mim o álcool é um tapa na cara fazendo a mascara cair mostrando sua verdadeira face, mas se analisarmos é só apenas mais uma “desculpa”.
Você sai da sua casa com aquele ar de “sou desimpedido” e imediatamente procura a “desculpa”, após ingerir ela com energético e algumas pedras de gelo, cai no braço do descompromisso passando o desinteresse ao compromisso, mas na verdade tudo o que você quer e ter alguém para pensar, mesmo sabendo que dar satisfação é mais difícil do que encarar a realidade.
Sempre cobrando o melhor querendo sempre estar em primeiro plano, sendo que nem você mesmo se considera tanto, e o que te fere mais é relembrar que o jogo já esteve em suas mãos e sua única preocupação naquele momento era o sentir o êxtase de estar por cima, ficou perdido entre sentimentos carnais e sentimentos reais, valorizar coisas supérfluas tem seu preço, tentou usar o sorriso como isca, mas você se esqueceu que tinha sentimento em campo é que o artilheiro desse time é o “autovalor”. Uma das melhores qualidades do “autovalor” é a sua paciência para analisar a situação, foi difícil para ele quando viu que a única saída era recuar o time, pois ele conhece sua retaguarda.
Você pode culpar as drogas modernas que fazem você viver a estética do olho cru, a estética que o tempo devora, a estética que vai para o chão. Como todo condenado tem direito a um desejo, desejo que você se conheça e descubra que seu conteúdo faz o que você é, minha doce ressaca.









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